31.10.03

Angolê!

O Presidente de Angola convocou para hoje o Conselho da República – o órgão que o aconselha em matéria governativa. José Eduardo dos Santos não esperou um dia, sequer, para chamar os mais importantes consultores quando se trata, por exemplo, de dissolver a Assembleia Nacional, quando o maior partido da oposição se apresentou em condições de avançar para um acto eleitoral.
Apesar de defensor de um prazo mais diferido no tempo que o sustentado pela maior parte das forças na oposição, UNITA incluída, o chefe de Estado angolano fez a única coisa que dele se esperava – e que vem dando mostras de querer prosseguir: a normalização da vida política em Angola.
Agora, sentados à mesma mesa, pela primeira vez com um representante da UNITA – o recém eleito Isaías Samakuva – os «mais velhos» angolanos vão dizer o que acham sobre a altura ideal para o país ir a votos.
A convocação do Conselho da República era absolutamente necessária, neste momento. Não há consenso, por exemplo, sobre se as eleições legislativas e presidenciais devem realizar-se ao mesmo tempo. Ou se elas deverão ocorrer já em 2004, ou depois. Decisões claras sobre esses assuntos têm que sair desta reunião.
Está melhor percebido em Angola que no exterior – sobretudo em Portugal – que o processo que levará Angola à normalidade institucional não contempla ressabiamentos nem ajustes de contas com o passado. Quem não entender esse detalhe fica, agora, definitivamente fora do auspicioso futuro que Angola tem. Os detractores militantes, arautos de práticas que nem nas mais celebradas sociedades livres conseguem verificar, devem cair agora na realidade: a sociedade angolana é madura, e dispensa lições de teóricos que bebem mal o sumo das notícias.
«As instituições e dirigentes que saírem eleitos das futuras eleições terão, necessariamente, de ser respeitadas e cumprirem as suas obrigações sob penas de serem penalizadas», escrevia ontem o editorialista do Jornal de Angola, a propósito deste Conselho da República, sem referir que o mesmo já se deveria ter passado com as que resultaram das eleições de 1992. É este o retrato da sociedade angolana, hoje.
Angola é uma potência regional e pode dar muito mais à mole lusófona do que o que se espera dela. Um país calejado de 40 anos de guerra dá mostras de querer ganhar o respeito de todos, pela prática. É uma boa altura para cada um começar a cuidar do seu galinheiro.
Amanhã se saberá com que novas datas se vão escrever como marcantes no futuro reservado, enorme, de Cabinda ao Cunene.

01.07.03

Havemos de voltar

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