31.10.03

Oportunidade

Neste momento, o continente africano está centrado em Moçambique, onde decorre a cimeira dos chefes de Estado que vão eleger os organismos da União Africana (UA) que constituem uma esperança rara para o desenvolvimento do continente.
Sabe-se que S. Tomé e Príncipe tem aspirações a ocupar a cadeira mais importante da futura estrutura da UA – nomeadamente a presidência do Conselho, o mais importante cargo, numa organização construída à imagem da congénere europeia, onde o Presidente da Comissão, embora com poderes limitados, desempenha um papel fundamental. A eleição do presidente está a relegar para segundo plano a escolha dos também importantes vice-presidente e oito comissários, dos quais, necessariamente, oito mulheres.
Ao próximo presidente da UA pedem os países membros que atenda, em primeiro lugar, aos conflitos que grassam em África. É realista: só em Paz se poderá construir um projecto político que tire o continente da pobreza endémica em que está enclausurado.
No caso concreto de S. Tomé e Príncipe, a aspiração não parece fácil de concretizar. O actual presidente, Amara Essy, da Costa do Marfim, tem a seu favor a condução, com êxito, do processo que levou à transformação da Organização dos Estados Africanos na actual UA. O ex-presidente do Mali Alpha Oumar Konare conta com o importante apoio da África do Sul para ascender ao cargo.
Apesar de não se ter lançado claramente à corrida, por algumas declarações feitas noutros países lusófonos, ficou conhecida a pretensão são-tomense. Independentemente do desfecho, a atitude de disponibilidade manifestada por responsáveis governamentais dos outros Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) reflecte o compromisso que a própria estrutura aconselha. O que significa que, também aqui, os PALOP reconhecem a força da união e praticam em consonância.
Sobre os desafios que a UA representa e a esperança de que este seja o momento de viragem já se escreveu nestas páginas. Apenas o fim do conclave permitirá conclusões aprofundadas.
Mais fácil será concluir do sentido de oportunidade do presidente norte-americano, que fez coincidir a sua primeira deslocação a África com a Cimeira da UA, fazendo, pelo menos, com que ela passasse ao lado da sua agenda – ou, como se interrogam alguns analistas africanos, permitindo questionar se o objectivo é ofuscar o encontro de mais de quatro dezenas de outros chefes de Estado.

08.07.03

Havemos de voltar

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