Esclarecedor
Para quem segue o processo político angolano, o debate que hoje é transcrito nestas páginas é de interesse insuperável. Nele, à maneira política africana, são expostos com clareza surpreendente, os conceitos que os três candidatos à sucessão de Jonas Savimbi na presidência da UNITA têm para o exercício do poder. Três aspectos fundamentais ressaltam: o primeiro, que partilham um programa e diferem apenas na estratégia da sua aplicação – extraordinária forma de identificação com um ideal que se pode resumir na afirmação de um projecto que existe para oposição a um outro que é reconhecido como muito mais que a cleptocracia que se apregoa; na sequência dessa ideia, o reconhecimento e a promessa de se aprender com uma prática política que, efectivamente, se afirma no plano internacional como um exemplo de atenção e adequação aos tempos que correm e à sua adequação à evolução do Mundo; o terceiro, a assunção total do passado, dos seus erros (ou «passivo»), como forma de partir para um futuro que exige a presença de novos actores.
A UNITA não se posiciona noutra área política que aquela onde sempre esteve. Prova disso é a presença, como «partidos irmãos», dos portugueses CDS-PP e Nova Democracia (de Manuel Monteiro) no Congresso. Assim, deixados os mitos que o troar dos canhões abafaram durante muito tempo, a sociedade angolana ganha espaço de afirmação e intervenção.
O debate que aqui se transcreve é um documento da máxima importância para quem pretende compreender o processo político angolano.
24.06.03
Havemos de voltar
31.10.03
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