O bom caminho
Passo a passo faz-se o caminho de regresso de São Tomé e Príncipe à normalidade, após o golpe de Estado de quarta-feira passada. Só mais tarde se saberá em que medida a ausência de boa parte dos mais altos responsáveis do governo são-tomense do país, na altura do golpe, contribuiu para um desfecho calmo e rápido da crise. Não é difícil admitir que o facto de o presidente Fradique de Menezes estar na Nigéria, onde, por foça de uma cimeira aprazada para aqueles dias, se encontrava boa parte da diplomacia africana, e de o ministro dos Negócios Estrangeiros são-tomense, Meira Rita, se encontrar em Portugal com os homólogos da CPLP em peso, permitiu uma gestão sem dificuldades da situação.
Mais tarde, também, se perceberá o que querem os golpistas. Prestes a completar-se uma semana sobre o golpe que às primeiras horas da madrugada de quarta-feira, pretendeu derrubar o governo democraticamente eleito, ainda nem sequer os negociadores presentes na capital e que têm estado em contacto directo com os golpistas conseguem dizer o que pretendiam eles. Obviamente, resta a primeira impressão – de que aqui demos conta imediatamente: o petróleo que vai começar a dar receitas nunca tidas pelo governo de São Tomé é um móbil mais que plausível. Ou seja: tudo se poderá resumir numa aventura mal calculada de radicais que nas urnas não conseguiram obter, sequer, representação parlamentar. Além disso, parece não terem percebido sequer que os homens que governam a África do Sul não são os mesmos que lhes pagavam para fazer uma guerra que não era deles.
A resposta da África do Sul ao pedido de participação nas negociações, foi esclarecedora. O representante do Gabão, já presente, encarregou-se de transmitir a posição do governo sul-africano. Esclarecedora foi também a posição da CPLP quando se pôs a hipótese de uma intervenção militar para resolver a situação: nem legitimada pela solicitação de São Tomé esse devia ser o recurso, dias após a cimeira da União Africana ter declarado o recurso sistemático às armas como um dos maiores problemas do Continente.
Se aqui foi dito que a golpe não tinha pernas para andar, deve agora sublinhar-se que os passos dados o foram pelo bom caminho.
22.07.03
Havemos de voltar
31.10.03
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