Atestado
Dois anúncios marcam a actualidade política angolana: o de que o MPLA renovará quase em metade o número dos seus dirigentes durante o próximo Congresso e o de Isaías Samakuva como candidato à presidência da UNITA.
O Secretário Geral do MPLA fez saber que o Comité Central que vai sair do próximo Congresso será novo quase em metade. Aos anunciados 45 por cento corresponderá, pois, que mais de 100 dos actuais 251 dirigentes do partido no poder em Angola deixarão os cargos que ocupam na estrutura partidária.
Este é mais um sinal claro de que as coisas estão a mudar em Angola. A nível governamental foram anunciadas na semana passada medidas para tornar transparentes as contas do Estado. O Governo que entrou em funções com o novo ano, também ele profundamente renovado, tem dado mostras de querer alterar a imagem internacional que se lhe agarrava à pele como visgo.
O MPLA tem dado mostras, ao longo da história, de ser capaz de perceber os tempos. A decisão, apesar da guerra, de abrir o sistema ao multipartidarismo em tempo útil foi crucial para a vitória nas eleições que se realizaram. As medidas de conciliação que o Governo adoptou imediatamente após a vitória militar deram frutos que ultrapassaram, provavelmente, as próprias expectativas. É importante perceber que os dirigentes do MPLA não se quiseram ficar por uma operação cosmética.
A UNITA, beneficiando da Paz tanto como o país, redescobriu a democracia e os seus inequívocos valores intelectuais que trilharam caminhos difíceis. Os homens que recuperaram a estrutura e dirigiram o partido no último ano, souberam respeitar um período de nojo – inevitável. Mas sabem muito bem que Angola precisa deles, por tantas razões quantas as vozes que se escutarem.
Isaías Samakuva avançou para a presidência da UNITA e já deu mostras de temer Lukamba Paulo Gato como adversário nessa corrida. O jogo político está na mesa e não serão de estranhar cartadas como a que sugere que, com Samakuva, estará Abel Chivukuvuku a preparar-se, ele próprio, para a corrida à presidência de Angola. Este trio assim colocado na disputa destes cargos só prova que a democracia dos homens da UNITA sobreviveu, não ficou refém de supostas traições ou desobediências a lógicas passadas. Indicia mesmo que também estes responsáveis souberam, antes do tempo, perceber o que lhes era exigido e agir em conformidade.
Restam já poucas dúvidas de que será contra José Eduardo dos Santos que, quem a UNITA escolher, disputará as eleições presidenciais. Eduardo dos Santos que lidera um processo de afirmação do país na cena internacional que a poderá confirmar como potência regional que é.
Se dúvidas houvesse de que Angola está no caminho certo, elas agora deixaram de existir. Mais uma vez não precisou de que lhe apontassem o rumo. Os responsáveis angolanos aprenderam com a história e sabem que o preço pago foi muito elevado. Soubesse perceber isso os que apostam em prolongar o conflito em Cabinda.
13.05.03
Havemos de voltar
31.10.03
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário