31.10.03

Lusofonias

O Hoje Macau abriu as suas páginas a este novo projecto de divulgação da actualidade dos países que falam português. Não se trata de uma novidade, já que sempre nestas páginas a lusofonia teve espaço. É sim dar um outro formato a essas notícias, conferindo-lhes também outra importância.
Este projecto existe desde ainda antes de ter sido conhecida a decisão de Beijing de realizar em Macau o Forum para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa.
Por uma vez na primeira pessoa, que não servirá de exemplo, digo que se trata de uma aposta pessoal. Atento ao que se passa em Macau desde que cá cheguei, pareceu-me faltar o tratamento sistematizado da informação, no contexto lusófono, à lusofonia de Macau.
As portas que se abriram a esse projecto souberam reconhecer as mais valias que esse trabalho traz ao órgão de comunicação que o quer abraçar – logo à presença da língua portuguesa em Macau. Assim, sem que haja qualquer relação entre eles que não seja o resultarem de um projecto jornalístico pessoal, aqui surge pela primeira vez este espaço que já tem um meio-irmão, da parte do pai, na Rádio.
Já nas páginas deste jornal defendi a ideia de que é importante que se afirme, preto no branco da página impressa, de que falamos quando se fala da comunicação social que usamos em Macau – se de «imprensa portuguesa» ou «imprensa em português de Macau». Sabendo que para cá chegar foi posto pé na Baía dos Tigres, passado o Cabo das Tormentas, e arribada a Ilha de Moçambique, continuar um salto em direcção ao futuro é o mínimo que o respeito pela história requer. Neste espaço essa ideia ganha outra dimensão. Uma projecção a que a realização próxima do Forum dá outra importância. E tudo o que em Macau é especial condimenta a sensação.
Feito o esclarecimento pessoal partamos para a explicação da ideia.
Existindo manancial suficiente para alimentar sem «palha» estas páginas semanalmente, sabendo-se que Macau vai ser em breve o centro da lusofonia, pela vertente económica, faz todo o sentido dar uma atenção especial à informação que chega desses mercados. Como a economia não vive apenas do capital, como o homem não vive só do ar, procurar limitar à informação estritamente económica o âmbito da informação a veícular não faria sentido. Vamos então procurar o equilíbrio entre o que interessa saber, sobretudo aos empresários que têm essa missão de servir de ponte entre a Grande China e o Mundo Lusófono, e o que importa valorizar, senão preservar, para que faça sentido a presença do português (e portugueses) por cá.
Assim, este não terá que ser um espaço «para dar voz» a comunidade nenhuma. Não se assume como espelho de outra coisa que não a actualidade de cada um dos países onde estas linhas são lidas, porque esta língua é ensinada na escola.
Porque também não temos da informação o conceito acéptico de um falso objectivism - preguiça mental ou de conivência com os poderes, quaisquer -, sempre que se justificar aqui se emitirá opinião sobre a notícia que a todos nos incomoda. Como, no momento actual, as inquietantes novas que chegam da Guiné-Bissau, agora governada ao sabor dos caprichos de um inqualificável mas não inédito Kumba Ialá.

05.06.03

Havemos de voltar

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